quinta-feira, 10 de abril de 2008

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Vazios


Talvez o amor seja uma pele rugosa e indistinta, e dedos queimados nas extremidades – igualmente rugosos e indistintos –, ou uma fé al(quebrada) nas arestas vivas de uma casa sem tecto, sol a rodos penetrando a sala, solidificando a mesa de madeira – quase queimada – colocada naquele ponto exacto que definimos como perfeito. Abandono. A-ban-do-no. A-ban-dono, sem dono e sem rumo, as cadeiras pré-eclesiásticas de vime e costas altas. Vazias. Só o sol queima, o amor é agora um mito perdido na imensidão do sofá azul a formar L; nesse ângulo recto extravagante dissolveram-se as ilusões debruadas num azul celeste e dedos queimados nas extremidades. Agora, apenas silêncio e sol a rodos, queimando o quase-nada que resta. As memórias a dissolverem-se no momento etéreo e na figura envolta na penumbra dos dias e sol a rodos, e dedos queimados nas extremidades; e na pele rugosa a pedir quilos de creme hidratante, como se o amor fosse uma epiderme seca, seca…
Ontem como hoje, as plantas semi-verdes a surpreenderem num ou noutro dia com o inusitado de cores berrantes – tentativas de registar alegria –, sucumbindo à noite, morrendo nessa fé insofismável, presa nas extremidades dos dedos queimados e da pele rugosa, e do sol a rodos invadindo a sala agora vazia.
[Ou a mesa sem pratos, sem talheres, sem a toalha azulada repartida em pequenos quadrados..., sem subtilezas]
Apenas a crueza dos dias de sol a rodos e dedos queimados. E cabeça queimada. E vazia.

ADENDA:
O texto não reflecte a minha vida pessoal.